Capoeira

Capoeira & Maculelê

HISTÓRICO:A história da Capoeira confunde-se com a própria história do Brasil, pois é nela que vamos encontrar as primeiras manifestações. A Capoeira surgiu do negro cativo buscando sua identificação cultural frente ao sistema da escravidão em um ambiente adverso à sua aceitação junto à sociedade dominante. Há sessenta anos a capoeira ainda era considerada ilegal, reprimida pela polícia. Essa situação gerou um ambiente propício ao desenvolvimento da sua versatilidade.

A Capoeira surgiu no Brasil no século XVI, com a vinda dos negros que aqui eram usados como escravos. Em ânsia de liberdade os negros criaram a capoeira, luta que supria a falta de força, compensando a má alimentação, numa demonstração de destreza e agilidade corporal.
Então misturavam instrumentos musicais, dança e luta, tudo ao mesmo tempo, enganando seus Senhores de Engenho. Os negros quando fugiam, iam para as matas de onde originou-se o nome Capoeira, que em tupi-guarani significa MATO RALO. O Quilombo de Palmares, localizada na serra da Barriga, no Estado Alagoas. No Quilombo todas as crianças após os 10 anos, tinha o seu início na Capoeira. A Capoeira sofreu repressão por grande parte das autoridades policiais devido aos mau caráter e chegou a ser proibida em 1839 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, e resistindo ao sistema até a sua legalização.

A Capoeira é brincadeira, é um jeito de lutar jogando, rindo, dissimulando. Tem evoluído nos últimos cinqüenta anos, saiu das sendas da marginalidade e passou a ser praticada em academias, clubes e sua presença, obrigatória em espetáculos diversos.
Tratando-se de uma cultura popular, a transmissão de conhecimentos de geração em geração vem ocorrendo de forma verbal e através da própria realização da arte. Sua expressão popular faz parte do vasto e rico legado da cultura brasileira e contém elementos de educação, arte, luta, esporte, terapia, assim como dança, lazer, folclore, história, ginástica, etc.

A arte na Capoeira se faz presente através da música, do ritmo, do canto, da expressão corporal, da criatividade de movimentos e da presença cênica. A luta representa sua origem e sobrevivência através dos tempos na sua forma mais natural, como um instrumento de defesa pessoal genuinamente brasileiro, e uma estratégia de resistência ao aniquilamento de uma cultura. Como modalidade esportiva, ela possui elementos que se identificam culturalmente com seus praticantes, despertando o interesse da comunidade em geral. A sua prática, como forma de lazer e recreação, representa eventos conhecidos na comunidade como “rodas de capoeira”, sendo evidente os seus efeitos terapêuticos em termos educacionais, ocupacionais e de reabilitação.
O fim do regime escravocrata não significou a aceitação imediata da comunidade negra na vida social. Ao contrário, vários aspectos da cultura afro-brasileira sofreram violenta repressão, como a capoeira. O caso da capoeira é o mais evidente: essa forma de rebeldia, que já havia sido utilizada como arma na luta de inúmeras fugas durante a escravidão, tornou-se um símbolo de
resistência do negro a dominação. Assim o governo republicano, instaurado em 1889, deu continuidade a essa política e associou diretamente a capoeira a criminalidade, como consta no decreto 847 de 11 de outubro de 1890 com o titulo ” Dos Vadios a Capoeiras”. Artigo 402 – Fazer nas ruas os praças públicas exercícios de destreza corporal conhecido pela denominação de capoeiragem: pena de 2 a 6 meses de reclusão.
Parágrafo Único : É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta. Aos Chefes, ou cabeças, impor-se-á a pena em dobro.Passou o tempo e a capoeira é praticada hoje não só nas ruas, mas nas academias e escolas.

Instrumentos Musicais da Capoeira

O berimbau é o instrumento que comanda a roda da capoeira . Ele é um instrumento de uma só corda composto por uma verga de madeira (Biriba) , um arame , uma cabaça , um caxixi (chocalho artesanal) , uma vaqueta e para emitir seus sons é utilizado uma pedra ou dobrão (moeda de cobre) . Normalmente são utilizados três berimbaus simultâneos na roda , um gunga ou berra-boi , um médio e um viola que possuem sons que vão tornando-se mais agudos gradativamente . O que dá diferentes nomes aos berimbaus é a diferença no tamanho de suas cabaças sendo que o viola possui a menor cabaça e o gunga a maior cabaça . Portanto a definição do tipo do berimbau que está sendo tocado depende diretamente dos outros berimbaus presentes na roda . O berimbau varia suas notas musicais através de uma maior ou menor pressão do dobrão no arame e de se encostar ou não a cabaça na barriga do tocador . O berimbau é segurado com o dedo mínimo por debaixo do barbante que prende a cabaça ao arame pela mão esquerda . O dobrão fica entre o polegar e o indicador desta mesma mão . Com a mão direita o tocador deve segurar o caxixi e e bater ritmicamente com a vaqueta contra o arame .

Cabaças : Fechada; Gunga ou Berra-Boi; Média; Viola
Arame(Aço), caxixi, vaqueta e dobrão

Atabaque:Instrumento muito antigo de origem oriental, presente entre os Persas e os Árabes e muito divulgado posteriormente na África.
Chegou ao Brasil introduzido pelos Portugueses para ser usado em festas e procissões de origem religiosas a princípio. Devido aos africanos já o conhecerem com o tempo outros tipos foram trazidos para nosso país chegando aos terreiros e posteriormente tornando-se um dos componentes do ritmo da roda de capoeira. É o principal instrumento de percussão da roda marcando o ritmo e facilitando a sincronia entre os três berimbaus.

Pandeiro:Utilizado na velha Índia e Península Ibérica na idade média em festas de bodas, casamentos e outras cerimônias religiosas. Foi introduzido no Brasil também pelos portugueses e utilizado posteriormente em rodas de samba e pelos negros na roda de capoeira, sendo um instrumento de percussão geralmente mais agudo que o atabaque.
Agogô:Foi introduzido no Brasil pelos africanos, sendo o termo agogô pertencente a língua nagô e significando “sino”. É utilizado em folguedos populares, cerimônias religiosas Afro-Brasileiras e na capoeira. É um instrumento de ferro tocado com auxílio de uma vaqueta sendo hoje em dia o instrumento de percussão mais agudo da roda de capoeira, samba de roda e maculelê.

Capoeira Angola

É uma manifestação primitiva que nasceu da necessidade de libertação de um povo escravizado, oprimido, sofrido e revoltado. Podemos considerá-la a mãe da Capoeira Regional.A Capoeira Angola é luta, dança e jogo lúdico que envolve estilo, presença de espírito, flexibilidade e muita estratégia. É nela que o capoeirista tece movimentos que envolvem espiritualidade e disciplina mental e física. É a arte e filosofia em um único jogo.

A Angola é muito rítmica e ritualista e como muitas outras tradições africanas é oralmente transmitida de mestre para discípulo. Foi utilizada pelos escravos africanos para combater o poder de opressão do colonizador. Tem sua origem no N’golo uma tradição Banto que era relativamente pacífica.

A roda de Angola se forma com 3 berimbaus, 2 pandeiros e 1 atabaque, onde normalmente todos os componentes do ritmo, com exceção do atabaque, são tocados sentados, podendo ainda serem usados o agogô e o reco-reco. A tradição nos mostra que os angoleiros costumam jogar calçados, com calça preta e camisa amarela sendo que muitos mestres se vestem todo de branco.

Como nomes importante no mundo da capoeira Angola podemos citar Mestres Pastinha, Traíra, Cobra Verde, João Grande, Cobra Mansa, Angolinha, Moraes, Curió, João Pequeno, Gigante, Boca Rica, Aberrê, entre outros.

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, nascido em 5 de abril de 1889, em salvador e filho do espanhol José Senor Pastinha e da negra baiana Eugênia Maria de Carvalho foi considerado em sua época o mais perfeito lutador de capoeira angola da Bahia. Sempre foi considerado por muitos mestres como o maior capoeirista de todos os tempos. Pastinha iniciou a capoeira com dez anos de idade devido a sempre apanhar de um rival mais forte e de mais idade na rua. Um dia um velho africano assistiu ao combate por sua janela e vendo Pastinha chorar de raiva depois de apanhar chamou-o para ir todos os dias à sua casa aprender a capoeira. Pastinha treinou por quatro anos e depois ensinou quarenta. Aprendeu capoeira com Benedito até ingressar na marinha de guerra. Foi músico, pintor, poeta popular, mestre de capoeira, jogador de futebol (pelo ypiranga), alfaiate, engraxate, fez garimpo e foi leão-de-chácara (em casa de jogo). Faleceu em 1981 aos 92 anos de idade, dos quais 81 dedicados a capoeira.

Mestre João Grande

Sendo a angola a arte precursora da capoeira regional contemporânea seu aprendizado auxilia em muito o desenvolvimento na regional. Além de que a angola é universal e onde quer que se jogue capoeira angola ocorre um entendimento e parceria maior entre os capoeiristas.

É devido a tudo isso que nós não podemos menosprezar a Capoeira Angola que foi a precursora da Capoeira Regional. Mais importante que rotular grupos ou pessoas como praticantes da Angola ou da Regional é buscar a capoeira como algo mais amplo. É importante ser um capoeirista o mais completo possível, ou seja, jogando e tocando todo o tipo de capoeira.

CAPOEIRA REGIONAL uma manifestação da cultura baiana, que foi criada em
1928 por Manoel dos Reis Machado ( Mestre Bimba ). Ele utilizou seus conhecimentos da Capoeira Angola e do Batuque.

MESTRE BIMBA ,DISSE EM 1928: “EU CRIEI, COMPLETA, A REGIONAL, QUE É O
BATUQUE MISTURADO COM A ANGOLA, COM MAIS GOLPES, UMA VERDADEIRA LUTA, BOA PARA O FÍSICO E PARA A MENTE “
. Manoel dos Reis Machado ( Mestre Bimba ), nasceu em 23 de novembro de 1900, no bairro de Engenho Velho deBrotas, em Salvador, Bahia, filho de Luís Cândido Machado, famoso campeão baiano de batuque, e de Maria Martinha do Bonfim. Foi carvoeiro, doçeiro, trapicheiro, carpinteiro, mas, principalmente capoeirista, MESTRE DE CAPOEIRA, condição esta adquirida por reconhecimento popular e pelo respeito da sociedade, numa época em que a perseguição, às manifestações da cultura negra eram muito intensas e perversas.Muniz Sodré, Ex-aluno se refere ao Mestre dizendo:” foi uma das últimas grandes figuras do que se poderia chamar
de ciclo heróico dos negros da Bahia “
.Somente aos 12 anos de idade, Bimba o caçula de Dona Martinha, iniciou-se na Capoeira, na Estrada das Boiadas, hoje bairro da Liberdade. Seu Mestre foi o africano Bentinho,Capitão da Companhia de Navegação Baiana. Assim nasceu a Capoeira Regional.

Maculelê
Muito comum no Interior da Bahia, precisamente na Região do Recôncavo e muito difundido na Cidade Santo Amaro da Purificação, o Maculelê, dentro das celebrações profanas locais, comemorativas do dia de Nossa Senhora da Purificação (2/Fev.), a santa padroeira da cidade.

Essa manifestação de forte expressão dramática, ponto alto dos folguedos populares, destinava-se a participantes do sexo masculino que dançavam em grupo, batendo as grimas (bastões) ao ritmo dos atabaques e ao som de cânticos em linguagem popular, ou em dialetos
africanos. Dentre todos os folguedos existentes em Santo Amaro, cidade marcada pelo verde dos canaviais, o Maculelê era o mais rico em cores. Seu ritmo vibrante contagiava a todos.

São contraditórias e pouco esclarecidas suas origens. Tem-se como um ato popular de origem africana que teria florescido no século XVIII nos canaviais santo-amarense e que se integra, há mais de duzentos anos, nas comemorações daquela cidade.

Um dos seus registros mais significativos consta na nota fúnebre publicada pelo jornal “O Popular” (10/Dez/1873), que circulava em Santo Amaro: “Faleceu no dia primeiro de dezembro a africana Raimunda Quitéria, com a idade de 110 anos. Apesar da idade, ainda capinava e varia o adro
(terreno em volta) da igreja da Purificação, para as folias do Maculelê. No início deste século, com a morte dos grandes mestres de Maculelê daquela cidade, o folguedo começou a desaparecer, deixando de constar, por muitos anos, das festas da padroeira.

Em 1943, outro mestre, Paulino Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê e considerado como “pai do Maculelê, no Brasil”, reuniu parentes e amigos para ensiná-los a
dançar, com base nas suas lembranças, pretendendo inclui-lo novamente nos festejos religiosas locais. Seu grupo passou a ser conhecido como “Conjunto de Maculelê de Santo Amaro”.

Entretanto, é através dos estudos de Monoel Querino (1851-1932) que se encontram indicações de tratar-se o Maculelê de um fragmento do Cucumbi, uma dança dramática em que os negros batiam pedaços roliços de madeira, acompanhados de cantos. Em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, Luís da Câmara Cascudo aponta a semelhança do Maculelê com os Congos e
Maçambiques. Emília Biancardi escreveu um livro de título “Olelê Maculelê”, considerado como um dos estudos mais completos sobre o assunto. Como a intenção aqui não é arrolar todas as hipóteses levantadas sobre as origens dessa dança folclórica, os exemplos acima citados já
servem para demonstrar o grau de incerteza que persiste com relação às possíveis interpretações sobre os primórdios do Maculelê.

O Maculelê vem sofrendo profundas alterações em sua coreografia e indumentária, cujo resultado reverte em uma descaracterização. Exemplo: o que era originalmente apresentado como uma dança coreografada em círculo, com uma dupla de figurantes movimentando-se no seu interior
sob o comando do mestre do Maculelê, foi substituído por uma entrada em fila indiana com as duplas dançando isoladamente e não tendo mais o comando do mestre. O gingado quebrado, voltado para o frevo, foi substituído por uma ginga dura, de pouco molejo. Mais recentemente,
faz-se a apresentação sem a entrada em fila. Cada figurante posta-se isoladamente, sem compor os pares, e realiza movimentos em separado, mais nos moldes de uma aula comum de ginástica do que de uma apresentação folclórica requintada. Deve-se reconhecer que não só o Maculelê mais por todas as demais manifestações populares vivas ficam sempre muito expostas a modificações ao longo do tempo e com o passar dos anos.

Assim aconteceu no Rio de Janeiro com o Maculelê original, vindo da Bahia: sofreu alterações. Entendo que todas essas modificações devam ficar registradas, para permitir que os pesquisadores, no futuro, possam estudar as transformações sofridas e também para orientar melhor aqueles que vieram a praticar esse folguedo popular, de extrema riqueza plástica, rítmica e musical, que é o Maculelê.

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