Ecomomia mundial

Economia mundial deverá crescer 2,4% em 2010, mas recuperação mantém-se frágil

Segundo uma previsão das Nações Unidas anunciada hoje, a economia mundial deverá recuperar no próximo ano, apresentando uma taxa de crescimento mundial de 2,4%, mas há o risco de uma recessão de “duplo mergulho” se forem adoptadas as políticas erradas.

“Ainda não estamos a salvo”, disse Rob Vos, Director da Divisão de Análise de Políticas de Desenvolvimento do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais (DESA), que deverá lançar no próximo mês o relatório World Economic Situation and Prospects 2010 (WESP).

O relatório das Nações Unidas atribui a retoma esperada aos enormes estímulos políticos aplicados desde finais de 2008 e recomenda que se mantenham esses estímulos, pelo menos até surgirem sinais mais claros de uma recuperação mais robusta do crescimento do emprego e da procura do sector privado.

“Trata-se de uma inversão importante das tendências, após a queda livre em que entraram o comércio mundial, a produção industrial, os preços dos activos e a disponibilidade de crédito a nível mundial, que ameaçaram lançar a economia mundial para o abismo de uma nova Grande Depressão em princípios de 2009”, afirma o relatório.

Embora o relatório observe que um número crescente de países apresentaram um crescimento positivo desde o segundo trimestre de 2009 e que a recuperação se manteve no terceiro trimestre, “calcula-se que o produto mundial bruto deverá registar uma diminuição de 2,2% para o ano inteiro [2009], devido ao abrandamento acentuado registado no princípio do ano”.

O relatório adverte que “a recuperação não é homogénea e que as condições necessárias a um crescimento sustentado se mantêm frágeis”, acrescentando que, de um modo geral, as empresas começaram a renovar as existências em vez de responderem a uma procura mais forte por parte dos consumidores ou investidores.

O relatório chama também a atenção para os riscos potenciais do aumento do défice e da dívida externa dos Estados Unidos, que poderá “causar uma «aterragem dura» do dólar americano e provocar uma nova vaga de instabilidade financeira”.

“Não nos preocupa tanto que o dólar enfraqueça ainda mais”, disse Rob Vos aos jornalistas na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. “O que nos preocupa é a volatilidade. Isso irá forçosamente causar perturbações nos mercados e aumentar a sua relutância em concederem crédito”.

Segundo o relatório, o crescimento económico no próximo ano será mais vigoroso nos países em desenvolvimento, especialmente na China e na Índia, que deverão apresentar taxas de crescimento de 8,8% e 6,5%, respectivamente.

Este crescimento não deve, porém, ser interpretado como um avanço na redução da pobreza.

Embora se preveja que, em 2010, haja menos países em desenvolvimento a registar uma diminuição do rendimento per capita, também haverá menos países a alcançar a taxa de crescimento económico de 3% ou mais, que é considerada o limite mínimo para garantir uma redução substancial da pobreza.

A versão integral do relatório será divulgado a 15 de Janeiro de 2010. O WESP é uma publicação anual produzida pela DESA, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e as cinco comissões regionais da ONU.

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